arte & factos do cinema

É expressamente proibida a entrada a pessoas estranhas ao cinema. No blogue Arte & Factos fala-se sobre a 7ª arte.

Setembro 29, 2004

AS HORAS




Título Original: The Hours
Categoria: Drama
Realização:Stephen Daldry
Intérpretes: Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep, Edd Harris, Claire Danes, Jeff Daniels.
Distribuição: Paramount Pictures / Miramax Films / Buena Vista International / Lumière
Argumento: David Hare, baseado no livro de Michael Cunningham
Produção: Robert Fox e Scott Rudin
Música: Philip Glass
Fotografia: Seamus McGarvey
Desenho de Produção: Maria Djurkovic
Direcção de Arte: Nick Palmer, Mark Raggett e Judy Rhee
Figurino: Ann Roth
Edição: Peter Boyle
Efeitos Especiais: Double Negative
EUA, 2002, 114 minutos
Site Oficial: www.thehoursmovie.com

Três histórias de três mulheres separadas pelo tempo que, mais do que um livro, têm em comum uma história de vida:

Virgínia Woolf (Nicole Kidman), na década de 20, tenta encontrar inspiração na própria vida para dar um rumo à heroína do seu livro Mrs. Dalloway. Mas a insatistafação e a frustração que sente, a falta de paixão pelo marido e pela terra em que vive, a máscara que usa para tentar esconder o seu verdadeiro amor, levam-na a uma depressão e a não conseguir encontrar outra alternativa para dar à sua personagem senão a morte;

Já na década de 40, Laura (Julianne Moore) lê Mrs. Dalloway, estabelecendo um paralelo entre esta história e a sua. Também ela não é feliz com a vida que leva, ainda que aparentemente tivesse tudo o que se pudesse igualar a uma vida realizada nesta época: marido,filho, uma nova gravidez e alguma estabilidade na vida. Tenta disfarçar o seu sofrimento preparando uma festa para o aniversário do seu marido, tentando convencer-se que terá de seguir a sua vida mesmo sabendo que o verdadeiro amor não mora no seu lar.

Também Clarissa (Meryl Streep) vai dar uma festa tal como Mrs. Dalloway, com vista a homenagear Richard, um escritor famoso com sida a quem se dedica há largos anos. As suas fraquezas vêm agora ao de cima, quando desiste de fingir perante os outros e mesmo para si própria que tudo estava bem...

Realizado por Stephen Daldry, a acção deste filme com uma enorme carga dramática, desenvolve-se em apenas um dia, dia esse que será decisivo na vida destas três mulheres e na dos que as rodeiam. Estas mulheres, de uma maneira ou de outra, são impelidas a seguir um destino que sentem não ser o seu, procuram o amor numa outra morada, passando a vida a fingirem serem fortes e realizadas quer para os outros quer para si mesmas. Baseado na obra do vencedor do Prémio Pulitzer, este filme teve nove nomeações para o Óscar, vencendo na categoria de Melhor Actriz (para a irreconhecível Nicole Kidman).


OUTROS FILMES REALIZADOS POR STEPHEN DALDRY:
Billy Elliot
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Setembro 23, 2004

AS INVASÕES BÁRBARAS
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CATEGORIA: Drama
REALIZAÇÃO: Denys Arcand
INTÉRPRETES: Rémy Girard, Stéphane Rousseau, Dorothee Berryman, Louise Portal, Dominique Michel, Yves Jacques, Pierre Curzi, Marie-Jose Croze, Marina Hands, Toni Cecchinato, Mitsou Gélinas, Johanne-Marie Tremblay, Denis Bouchard, Markita Boies, Izabelle Blais.
ESTÚDIO: Astral Films / Centre National de la Cinematographie / Cinemaginaire Inc. / Le Studio Canal+ / Harold Greenbury Fund / Productions Barbares Inc. / Pyramid Productions / Société Radio-Canada
DISTRIBUIÇÃO: Miramax Films / Art Films
PRODUÇÃO: Daniel Louis e Denise Robert
MÚSICA: Pierre Aviat
FOTOGRAFIA: Guy Dufaux
Canadá, 2003, 99 minutos.

Com muita pena minha, ainda não tive oportunidade de ver «O declí­nio do Império Americano», filme que antecede esta genial obra canadiana «As Invasões Bárbaras» e que conta a história destas mesmas personagens há 16 anos atrás (representadas pelos mesmos actores que podemos ver neste filme). Mas penso que não foi impedimento para me deliciar com este filme vencedor do Óscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, que volta a pegar nas mesmas personagens que apesar de terem seguido caminhos diferentes ao longo das suas vidas, continuam unidas por uma forte amizade.

Rémy sofre de uma doença terminal mas ao seu lado tem o seu filho para o apoiar na doença e para tentar fazer com que a sua morte não seja tão dura, através da compra de melhores condições. Para tal, tenta proporcionar-lhe algum conforto fí­sico( comprando heroí­na para o seu pai injectar, para que lhe seja mais fácil suportar as dores de que padece) e também emocional, reunindo em torno de seu pai os seus velhos amigos de quem se havia separado ao longo da vida.

Pelo meio, ficam as reflexões acerca da vida e das relações humanas, acerca daquilo que é realmente importante e a que muitas das vezes só se dá valor quando se perde definitivamente; ficam momentos comoventes em que a mensagem que fica é a de que a distância não interessa quando o amor não tem fronteiras e acima de tudo fica uma excelente comédia com momentos muito divertidos que põem qualquer um com um sorriso nos lábios.


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Setembro 06, 2004

PARIS, TEXAS

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Categoria: Drama
Realização: Wim Wenders
Intérpretes: Harry Dean Stanton, Nastassja Kinski, Dean Stockwell, Aurore Clément, Socorro Valdez, Bernhard Wicki, Hunter Carson.
Argumento: Sam Shepard e L.M. Kit Carson, baseado no livro de Sam Shepard
Estúdio: 20th Century Fox / Argos Films / Channel Four Films / Pro-ject Filmproduktion / Road Movies Filmproduktion / Westdeutscher Rundfunk
Distribuição: 20th Century Fox Film Productions
Produção: Anatole Dauman e Don Guest
Música: Ry Cooder
Fotografia: Robby Müller
Desenho de Produção: Kate Altman
Alemanha Ocidental, França, 1984, 146 minutos.


Realizado em 1984, este filme conta a história de um homem que caminha pelo
deserto americano. Cansado da longa caminhada, acaba por sucumbir e por ser
tratado numa pequena localidade. Quando o seu irmão é chamado para ir ao seu
encontro, depara-se com uma pessoa diferente do que era há quatro anos atrás.
Agora é difícil comunicar com Travis, que fugira do seu passado deixando o seu
único filho, agora com oito anos, a cargo do seu irmão. Gradualmente este homem
solitário voltará a falar e a regressar à realidade e inevitavelmente ao seu
passado.

Ainda que a narrativa se desenvolva a um ritmo lento, já habitual nos filmes
realizados por Wim Wenders, esta história acerca dos desencontros da vida que
separam um pai do seu filho e também do grande amor da sua vida, prende o
espectador pelas reflexões que se poderão fazer. O drama familiar está presente
e consegue criar uma forte empatia com todas as personagens: um pai que foge do
seu passado pelo deserto, em busca de uma terra chamada Paris, em Texas, como
último refúgio para recomeçar a sua vida; uma mãe que, ao ver-se sem condições
financeiras para criar o seu bebé, o entrega aos cuidados de uns tios e leva uma
vida solitária; uns tios que criam o sobrinho como se fosse seu próprio filho
mas que vivem assolados pelo medo de o perder para os seus pais biológicos; uma
criança que continua a amar os seus pais mesmo sem os ter visto durante metade
da sua vida.

São estas as personagens centrais deste filme, cujos sonhos e medos mais
profundos se manifestam em todas as suas acções. As circunstâncias da vida
separam esta família, alterando o destino de todos. Mas um dia terão de encarar
as opções tomadas no passado, ao qual se torna impossíval fugir. Um filme sobre
o Homem e os seus erros ao longo da vida, que muitas das vezes afectam quem mais
se ama.

OUTROS FILMES REALIZADOS POR WIM WENDERS:
As asas do desejo
Viagem a Lisboa

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