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arte & factos do cinema

É expressamente proibida a entrada a pessoas estranhas ao cinema. No blogue Arte & Factos fala-se sobre a 7ª arte.

fevereiro 26, 2005

PERTO DEMAIS

[TÍTULO ORIGINAL] Closer
[CATEGORIA] Drama
[REALIZAÇÃO] Mike Nichols
[ARGUMENTO] baseado na peça de taatro de Patrick Marber
[INTÉRPRETES] Natalie Portman, Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen
[ESTÚDIO] Icarus Productions / John Calley Productions / Avenue Pictures Productions
EUA, 2004, 100 minutos.



A figura central em torno da qual se desenvolve a acção deste filme é a personagem de Jude Law, Dan, um escritor sem sucesso que mantém um romance com Alice mas acaba por envolver-se com Anne, uma fotógrafa por quem se apaixona. Através de um chat na Internet, Larry irá ter parte activa no novo rumo que estas relações irão tomar, acabando por se casar com Anne...

Closer conta com elenco de luxo, tendo sido nomeado para os Óscares nas categorias de Melhor Actor Secundário/Clive Owen e Melhor Actriz Secundária/Natalie Portman. Mas não é só o elenco que o torna num filme tão especial. As quatro personagens, dentro da sua vulnerabilidade, todas elas expostas ao que se pode chamar de amor à primeira vista, dão a verdadeira dimensão a este filme, com os seus diálogos incisivos, com o sentimento à flor da pele e, sobretudo, com sede de viver um grande amor.

Um filme que nos arrasta para o campo dos jogos de sedução e de atracção em que a fragilidade do sentimento amoroso vem à tona e é tema de destaque. Pelo meio surgem reflexões acerca do amor e da vida, desde o nascimento até à morte de uma relação, cujo crescimento acompanhamos intimamente. Acima de tudo, trata-se de um filme para ver, sentir e para nos deixarmos apaixonar à primeira vista.
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dezembro 20, 2004

A todos aqueles que visitam o Arte & Factos do cinema devo um pedido de desculpa por ter deixado este espaço ao abandono nos últimos tempos, mas sem internet em casa tem-me sido impossível dedicar o tempo que gostava a este blog. Espero poder voltar em breve com novos posts e avisarei a todos quando regressar.

Quero ainda desejar-vos um Feliz Natal e um óptimo 2005, com a concretização de tudo o que desejam...

Um beijo
Susana
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novembro 03, 2004

O PIANISTA

Contém spoilers

Categoria: Drama
Realização: Roman Polanski
Argumento: Ronald Harwood, baseado em livro de Wladyslaw Szpilman
Intérpretes: Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Frank Finlay, Maureen Lipman, Emilia Fox, Ed Stoppard, Julia Rayner, Jessica Kate Meyer, Ruth Platt, Katarzyna Figura, Valentine Pelka.
Estúdio: Studio Canal / Beverly Detroit / Interscope Communications / Mainstream S.A. / Meespierson Film C.V. / R.P. Productions
Distribuição: Studio Canal / Bac Films / Europa Filmes
Produção: Robert Benmussa, Roman Polanski e Alain Sarde
Música: Wojciech Kilar
Fotografia: Pawel Edelman
Desenho de Produção: Allan Starski
Direção de Arte: Sebastian T. Krawinkel
Figurino: Anna B. Sheppard
Edição: Hervé de Luze
2002, 148 minutos
Site Oficial: www.thepianist-themovie.com

Baseado no livro O Piansta de Wadyslaw Szpilman, este filme é um retrato fiel da vida deste homem que sobreviveu à criação do gueto de Varsóvia e aos inúmeros horrores perpretados contra os judeus, numa Áustria marcada pela guerra e pela descriminação racial.

Szpilman, um judeu amante da música, irá servir-se dela como uma base de apoio para superar os obstáculos que encontra ao longo deste período; é na música que encontra algum refúgio da dor que sente por perder as pessoas que mais ama, do sofrimento que vê à sua volta, do futuro promissor que tinha pela frente e que vê fugir em nome da "pureza da raça ariana". É a luta específica deste homem pela sobrevivência a que assistimos em O Pianista, desde a época em que tocava piano na rádio e em alguns restaurantes, até viver a mais duras das misérias a que um ser humano se pode sujeitar.

Adrien Brody é o protagonistaa deste filme, tendo o seu mérito pelo excelente desempenho sido reconhecido com o Óscar na categoria de Melhor Actor. Por detrás do seu desempenho estiveram alguns sacrifícios pessoais para o actor, que esteve seis meses longe da família, aprendeu num curto espaço de tempo a tocar piano e emagreceu 14 Kgs, em nome da reconstrução exacta da realidade.

De facto, a tentativa de se aproximar da realidae levou a que o realizador Roman Polanski e a sua equipa visualizassem diversas de imagens de arquivo que os alemães nazis filmavam. Mas Polanski tinha como base para realizar este filme bem mais do que imagens de arquivo: a sua experiência pessoal. Ele próprio conviveu de perto com esta realidade, ainda que na Cracóvia, assistindo em criança à sua mãe a ser levada para Auschwitz para nunca mais voltar. Também algumas cenas do filme espelham a sua própria vida: a cena en que o pai de Szpilman é agredido numa rua por um nazi é inspirada por uma situação idêntica que aconteceu com o pai de Polanski.

A realização deste filme resultou numa obra de referência acerca dos valores e da dignidade humana, vencedora de três Óscares da Academia (Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Argumento Adaptado) e da Palma de Ouro e do Festival de Cannes em 2002.



OUTROS FILMES REALIZADOS POR ROMAN POLANSKI:
A nona porta
Lua de mel, lua de fel
A semente do diabo
Frenético
O inquilino

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outubro 27, 2004

FAHRENHEIT

Categoria: Documentário
Realização: Michel Moore
Estúdio: Miramax Films / Lions Gate Films Inc. / Fellowship Adventure Group / Dog Eat Dog Films
Distribuição: Lions Gate Films Inc. / IFC Films / Europa Filmes
Produção: Jim Czarnecki, Kathleen Glynn e Michael Moore
Música: Jeff Gibbs e Bob Golden
Fotografia: Mike Desjarlais
Edição: Kurt Engfehr, Todd Woody Richman e Chris Seward
EUA, 2004, 116 minutos.
Site Oficial: www.fahrenheit911.com

Muito já se escreveu acerca de Fahrenheit. De todas as análises feitas, resultaram algumas posições opostas acerca da qualidade deste documentário enquanto produção cinematográfica, principalmente após este ter saído vencedor do Festival de Cannes.
Decorridos cinco meses da projecção do filme, a polémica continua acesa, numa altura em que a campanha eleitoral nos EUA se encontra em fase final. O conteúdo do filme já é do conhecimento de todos: Michael Moore passa para a tela o mandato de George W. Bush (desde a controversa vitória sobre Al-Gore), numa tentativa de ilustrar a incompetência do presidente e de que forma colocou sempre os seus interesses pessoais à frente dos interesses da nação que preside, como meio de evitar uma possível reeleição.

São os factos que marcaram a actualidade mundial nos últimos anos que são retratados num documentário no mínimo marcante, que dividiu opiniões; quanto a mim, Michael Moore tem vindo a ter o reconhecimento que merece: já em Bowling for Columbine tinha usado o cinema ao serviço das suas convicções políticas, tendo resultado num excelente documentário acerca do uso de armas nos EUA; Fahrenheit segue o mesmo molde. Por detrás do seu argumento adaptado está a coragem de realizador que encontrou uma excelente fórmula para uma arma política poderosa.

Questões políticas à parte, penso que Michael Moore deu um importante contributo para a popularização dos documentários, realizando-os de uma forma apelativa, não só pelos seus temas actuais, mas também pelo seu trabalho de edição e montagem (note-e que este é o documentário que esteve em cartaz em mais salas de cinema nos EUA).




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outubro 06, 2004

A VILA

CATEGORIA: Suspense
REALIZAÇÃO: M. Night Shyamalan
INTÉRPRETES: Bryce Dallas Howard, Joaquin Phoenix, Adrien Brody, William Hurt, Sigourney Weaver, Brendan Gleeson, Cherry Jones, Celia Weston, John Christopher Jones, Frank Collision, Jayne Atkinson, Judy Greer, Fran Kranz, Michael Pitt, Jesse Eisenberg
ARGUMENTO: M. Night Shyamalan
PRODUÇÃO: Sam Mercer, Scott Rudin e M. Night Shyamalan
ESTÚDIO: Touchstone Pictures / Scott Rudin Productions / Blinding Edge Pictures / Convington Woods Pictures
DISTRIBUIÇÃO: Buena Vista Pictures
EUA, 2004, 120 minutos

O nome M. Night Shyamalan ficará para sempre ligado ao Sexto Sentido. A história do menino que vê e contacta com os mortos e que com a ajuda de um psicólogo tenta encontrar uma forma de lutar contra os seus medos, envolve o espectador num clima de tensão forte em que a compreensão por todas as personagens envolvidas e pelos seus dramas é grande.

É rara a pessoa que viu e não gostou, e muito, deste filme, que não se deixou levar por ele e pelos seus percursos pelo mundo sobre-natural. Daí que se espere sempre mais de Shyamalan e ainda que, a meu ver, essa seja uma tarefa difícil de conseguir, especialmente depois de ter realizado o Sexto Sentido, consegue ao menos igualá-lo com a atmosfera de suspense que imprime nos seus filmes e com enredos bem montados que deixam sempre o espectador com algum desconforto quando se coloca no lugar das personagens e é levado naturalmente a colocar-se nas situações que elas vivem.

A expectativa é grande e o espectador desilude-se, procurando mais acção onde se desenrola a contemplação. Contemplação de aglomerados de pessoas que vivem no medo de algo que lhes é desconhecido e que não compreendem, por mais que o tentem. Também no A Vila há uma situação estranha que leva a que os seus moradores se isolem no seu interior, não estabelecendo qualquer contacto para além da floresta que os rodeia. O motivo são os seres que a habitam, os seres dos quais não se fala, que são atraídos pela cor vermelha, cor essa que é necessário banir da vila. A pouco e pouco, esse medo que levou até à adopção de certos rituais por parte da população (iluminar a periferia, desafiar os seres através de jogos, etc.), começa a ser um grande obstáculo, nomeadamente quando é necessário adquirir medicamentos que só vendem nas cidades.

E é neste clima de insegurança que nasce uma história de amor entre Ivy (Bryce Dallas Howard), a rapariga cega que vê com o coração o que os outros vêem com os olhos, e Lucius (Joaquim Phoenix). Em papéis de destaque, este filme conta ainda com William Hurt, Sigourney Weaver e com Adrien Brody, protagonista das cenas mais cómicas e também das mais tensas de A Vila.

Sem dúvida que este é também um bom filme de Shyamalan, também ele com uma reviravolta pelo meio que não convém aprofundar para não estragar o efeito do filme sobre quem ainda não o viu.

OUTROS FILMES REALIZADOS POR M. NIGHT SHYAMALAN:

O Sexto Sentido
Sinais

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setembro 29, 2004

AS HORAS




Título Original: The Hours
Categoria: Drama
Realização:Stephen Daldry
Intérpretes: Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep, Edd Harris, Claire Danes, Jeff Daniels.
Distribuição: Paramount Pictures / Miramax Films / Buena Vista International / Lumière
Argumento: David Hare, baseado no livro de Michael Cunningham
Produção: Robert Fox e Scott Rudin
Música: Philip Glass
Fotografia: Seamus McGarvey
Desenho de Produção: Maria Djurkovic
Direcção de Arte: Nick Palmer, Mark Raggett e Judy Rhee
Figurino: Ann Roth
Edição: Peter Boyle
Efeitos Especiais: Double Negative
EUA, 2002, 114 minutos
Site Oficial: www.thehoursmovie.com

Três histórias de três mulheres separadas pelo tempo que, mais do que um livro, têm em comum uma história de vida:

Virgínia Woolf (Nicole Kidman), na década de 20, tenta encontrar inspiração na própria vida para dar um rumo à heroína do seu livro Mrs. Dalloway. Mas a insatistafação e a frustração que sente, a falta de paixão pelo marido e pela terra em que vive, a máscara que usa para tentar esconder o seu verdadeiro amor, levam-na a uma depressão e a não conseguir encontrar outra alternativa para dar à sua personagem senão a morte;

Já na década de 40, Laura (Julianne Moore) lê Mrs. Dalloway, estabelecendo um paralelo entre esta história e a sua. Também ela não é feliz com a vida que leva, ainda que aparentemente tivesse tudo o que se pudesse igualar a uma vida realizada nesta época: marido,filho, uma nova gravidez e alguma estabilidade na vida. Tenta disfarçar o seu sofrimento preparando uma festa para o aniversário do seu marido, tentando convencer-se que terá de seguir a sua vida mesmo sabendo que o verdadeiro amor não mora no seu lar.

Também Clarissa (Meryl Streep) vai dar uma festa tal como Mrs. Dalloway, com vista a homenagear Richard, um escritor famoso com sida a quem se dedica há largos anos. As suas fraquezas vêm agora ao de cima, quando desiste de fingir perante os outros e mesmo para si própria que tudo estava bem...

Realizado por Stephen Daldry, a acção deste filme com uma enorme carga dramática, desenvolve-se em apenas um dia, dia esse que será decisivo na vida destas três mulheres e na dos que as rodeiam. Estas mulheres, de uma maneira ou de outra, são impelidas a seguir um destino que sentem não ser o seu, procuram o amor numa outra morada, passando a vida a fingirem serem fortes e realizadas quer para os outros quer para si mesmas. Baseado na obra do vencedor do Prémio Pulitzer, este filme teve nove nomeações para o Óscar, vencendo na categoria de Melhor Actriz (para a irreconhecível Nicole Kidman).


OUTROS FILMES REALIZADOS POR STEPHEN DALDRY:
Billy Elliot
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setembro 23, 2004

AS INVASÕES BÁRBARAS
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CATEGORIA: Drama
REALIZAÇÃO: Denys Arcand
INTÉRPRETES: Rémy Girard, Stéphane Rousseau, Dorothee Berryman, Louise Portal, Dominique Michel, Yves Jacques, Pierre Curzi, Marie-Jose Croze, Marina Hands, Toni Cecchinato, Mitsou Gélinas, Johanne-Marie Tremblay, Denis Bouchard, Markita Boies, Izabelle Blais.
ESTÚDIO: Astral Films / Centre National de la Cinematographie / Cinemaginaire Inc. / Le Studio Canal+ / Harold Greenbury Fund / Productions Barbares Inc. / Pyramid Productions / Société Radio-Canada
DISTRIBUIÇÃO: Miramax Films / Art Films
PRODUÇÃO: Daniel Louis e Denise Robert
MÚSICA: Pierre Aviat
FOTOGRAFIA: Guy Dufaux
Canadá, 2003, 99 minutos.

Com muita pena minha, ainda não tive oportunidade de ver «O declí­nio do Império Americano», filme que antecede esta genial obra canadiana «As Invasões Bárbaras» e que conta a história destas mesmas personagens há 16 anos atrás (representadas pelos mesmos actores que podemos ver neste filme). Mas penso que não foi impedimento para me deliciar com este filme vencedor do Óscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, que volta a pegar nas mesmas personagens que apesar de terem seguido caminhos diferentes ao longo das suas vidas, continuam unidas por uma forte amizade.

Rémy sofre de uma doença terminal mas ao seu lado tem o seu filho para o apoiar na doença e para tentar fazer com que a sua morte não seja tão dura, através da compra de melhores condições. Para tal, tenta proporcionar-lhe algum conforto fí­sico( comprando heroí­na para o seu pai injectar, para que lhe seja mais fácil suportar as dores de que padece) e também emocional, reunindo em torno de seu pai os seus velhos amigos de quem se havia separado ao longo da vida.

Pelo meio, ficam as reflexões acerca da vida e das relações humanas, acerca daquilo que é realmente importante e a que muitas das vezes só se dá valor quando se perde definitivamente; ficam momentos comoventes em que a mensagem que fica é a de que a distância não interessa quando o amor não tem fronteiras e acima de tudo fica uma excelente comédia com momentos muito divertidos que põem qualquer um com um sorriso nos lábios.


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